Boletim Informativo março 2021

 

Bem-vindos ao nosso Boletim Informativo de março!

Esperemos que desfrute dos artigos deste mês.

A Primavera está a chegar! Feliz Primavera!

Helen e Filipa

 

I
N
S
TANTÂNEO

D. Sebastião I

16º Rei de Portugal (1557 – 1578)

Nascimento: 20 de janeiro de 1554, Lisboa

Falecimento: 4 de agosto de 1578, Alcácer Quibir, Marrocos

Sebastião ascendeu ao trono muito jovem, tinha apenas 3 anos de idade. Filho de D. João, Príncipe de Portugal (1537-1554) e Joana de Áustria, era neto de D. João III, Rei de Portugal (1502-1557). Devido à sua tenra idade, estava impossibilitado de reinar e foi designado um Regente. O seu primeiro Regente foi a sua avó, a rainha Catarina de Áustria, seguida do seu tio-avô, o Cardeal Henrique de Évora.

Sebastião foi apelidado de “O desejado”, ele era salvação da Coroa Portuguesa; todos os filhos do seu avô, Rei D. João III, morreram muito cedo, exceto o seu pai (João Manuel) que atingiu a adolescência e casou com a idade de 15 anos, viria a morrer antes do nascimento do seu filho. Maria Manuela de Portugal (1525-1545), irmã de João Manuel, casou com Felipe II, Rei de Espanha, com a condição, de que se não houvesse sucessão direta à coroa Portuguesa, os seus filhos herdavam-na. Todos esperavam ansiosamente o nascimento do novo sucessor.

A educação de D. Sebastião foi militar e religiosa, ele era um homem inteligente e entusiasta dos perigos e aventuras; quando atingiu os 14 anos, foi declarado pela maioria que poderia reinar sozinho. Durante esse período a expansão colonial estava parada e o objetivo principal era proteger e fortalecer as colónias que já pertenciam a Portugal. As colónias no Norte de África eram dispendiosas e não muito importantes do ponto de vista comercial e estratégico. O Norte de África estava nessa altura nas mãos dos Turcos e estes queriam conquistar Marrocos; os Mouros de Marrocos pediram ajuda a D. Sebastião e este decidiu iniciar as “Jornadas de África”.

No dia 4 de agosto, iniciou a batalha de Alcácer Quibir ou a batalha dos 3 Reis como também ficou conhecida (porque supostamente três reis faleceram durante esta batalha); a história conta que esta batalha teve a duração de 4 horas e que o vencedor nunca foi declarado. O Rei D. Sebastião desapareceu no meio da multidão (ou nevoeiro) e nunca mais foi visto, o seu corpo nunca foi encontrado. A história tornou-se numa lenda e desde então os Portugueses esperam pelo regresso do seu Rei, num dia de nevoeiro, para ajudar o seu país.

OVI’s – Objetos Voadores Identificados…

Cucullia calendulae, Treitschkle, 1835

Morfologia: É uma macro traça da Família Noctuidae, com uma envergadura entre 41 e 45 mm. As asas posteriores são cinzentas raiadas e as asas anteriores são cinzento claro com veios escuros. Descansa com as asas fechadas junto ao corpo e com o colar levantado em forma de projeção pontiaguda (semelhante à barabatana dorsal do tubarão). Os adultos voam de novembro a abril. Possui apenas uma geração anual.

Habitat: áreas ruderais, bermas de estradas, campos, dunas costeiras e matos.

Distribuição: Bacia Mediterrânea, Sul da Europa, Norte de África e Médio Oriente.

Notas: A larva alimenta-se de plantas da Família Asteraceae, especialmente de espécies de Calendula, mas também Ormenis, Archillea e Anthemis; pode alimentar-se de todas as partes da planta (caules, folhas, botões florais e flores). As lagartas vivem normalmente na primavera e a pupa estiva para sobreviver a períodos de seca no verão.

Piu… Piu…

Cotovia-de-poupa (Galerida cristata, Linnaeus, 1758)

Identificação: É um passeriforme da Família Alaudidae, com cerca de 18 cm de comprimento. A plumagem é acastanhada no dorso e asas, debaixo das asas é avermelhada; a barriga é esbranquiçada e o peito é pálido, com riscas escuras, a cauda é curta; apresenta uma poupa pontiaguda; o bico é longo e ligeiramente curvo. Os juvenis apresentam cristas mais pequenas.

Habitat e Ecologia: habita áreas abertas, pousios, baldios, bermas de estradas, dunas, terrenos aráveis e áreas agrícolas. A dieta consiste maioritariamente em sementes e pequenos invertebrados (escaravelhos).

Distribuição: nativa da Europa, Norte de África e Ásia. Em Portugal está presente em todo o território, mas é mais comum no centro e sul. Esta espécie é residente.

Estado de Conservação: Pouco preocupante (LC) na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A população tem vindo a decrescer devido à agricultura intensiva. Existem várias subespécies de acordo com a sua distribuição, em Portugal está presente a Cotovia-de-poupa-Ibérica (G. cristata pallida). Esta espécie é muito semelhante à Cotovia-montesina (Gallerida theklae).

SABIA QUE?

  • Fevereiro sem plástico está nas notícias! Veja aqui
  • Fevereiro sem plástico ainda não acabou! Nunca é tarde demais para começar! Aqui estão algumas dicas para reduzir o consumo de plástico. Veja aqui
  • Uma aluna de doutoramento da Universidade de Cardiff, Hannah Hereward (Boletim Informativo julho 2018 – apenas disponível em Inglês), está a trabalhar numa ilha remota nos Açores. Foi voluntária no Projeto dos Painhos, n’ A Rocha, juntamente com Ben Porter (Boletim Informativo março 2019) que realizou o seguinte vídeo. Um local incrível!
  • A Primavera está aí! Lentamente os nossos visitantes estivais estão a chegar, os primeiros foram as Andorinhas-dos-beirais (Delichon urbicum), as Andorinhas-das-chaminés (Hirundo rustica) e as Andorinhas-dáuricas (Cecropis daurica)!
  • A Primavera é também a melhor altura para observar borboletas! Elas podem -nos surpreender com as suas cores e tamanhos, como esta maravilhosa Verdinha-da-primavera (Tomares ballus)! E claro, as plantas estão em flor! Algumas começam a florir antes da chegada da primavera, como estas maravilhosas Campainhas-da-primavera (Narcissus bulbocodium)!

Verdinha-da.primavera (Tomares ballus)

Campainhas-da-primavera (Narcissus bulbocodium)

O Algarve é famoso pelas suas maravilhosas praias e pelo clima “quente” durante todo o ano! Apesar das manhãs e noites frias, os dias soalheiros de inverno são maravilhosos para passeios na natureza. Durante o mês de janeiro tive a oportunidade de caminhar ao longo da Meia Praia; cerca de 5,5 km de praia arenosa, delimitada por dunas, hotéis e restaurantes… Fiquei surpreendida por ver tantas pessoas a passear… com os seus cães sem trela a correr por todo o lado… por um lado fiquei satisfeita por ver que tantas pessoas desfrutavam da natureza, por outro lado, insatisfeita por ver tanta perturbação humana! Muitas limícolas utilizam as praias no inverno para se alimentar; no meu passeio apenas observei um Pilrito-das-praias (Calidris alba). As principais causas da extinção de espécies ou do decréscimo das populações são a perda ou perturbação dos habitats. Talvez devêssemos reconsiderar o nosso comportamento…

Filipa

ESPÉCIES INVASORAS

Lagostim-vermelho-do-Louisiana (Procambarus clarkii, Girard, 1852)

Filo: Artropoda

Subfilo: Crustacea

Família: Cambaridae

Origem: Norte do México e Sudoeste dos EUA

Tamanho: 5.5 a 12 cm (adultos)

O Lagostim-vermelho-do-Louisiana é um lagostim de água doce quente; é de cor vermelho escuro com pinças e cabeça alongadas; os espinhos são reduzidos ou até mesmo ausentes da carapaça. O primeiro par de patas locomotoras (quelíceras) possui linhas de tubérculos vermelho vivo, de lado, na margem e na parte de baixo; a carapaça não está dividida ao meio e possui uma risca preta ao longo do abdómen. Os juvenis apresentam cor cinzento uniforme.

Esta espécie encontra-se em habitats de água doce lênticos (águas paradas) e lóticos (águas em movimento), como pântanos, valas, charcos, sapais, lagos, riachos e também campos de arroz, canais de irrigação e represas; evita locais com correntes fortes. Exibe uma plasticidade ecológica considerável e pode tolerar diferentes níveis de salinidade, oxigénio, temperatura e poluição; constrói “tocas” (buracos) simples e abertas onde se esconde em períodos de seca ou de temperaturas desfavoráveis (frio ou calor). É uma espécie territorial e agressiva mesmo com indivíduos da mesma espécie.

O ciclo de vida é relativamente curto, cerca de quarto meses e meio, desde o ovo até ao estado adulto. A reprodução ocorre no outono (um segundo período ocorre normalmente na primavera). Os ovos são fertilizados externamente e as fêmeas transportam-nos durante o seu desenvolvimento (agarrados às barbatanas natatórias da cauda); depois da eclosão os juvenis permanecem agarrados à fêmea, durante as duas primeiras mudas, a seguir às quais tornam-se livres. Durante este período as fêmeas procuram proteção na “toca”. A dieta e omnívora consistindo em material vegetal, animais (moluscos, insetos e peixes), detritos e sedimentos.
O Lagostim-da-Louisiana é criado e consumido como alimento no Sul dos Estados Unidos e possui um impacto económico importante. A sua introdução na Europa está relacionada com aspetos comerciais; foi introduzido em Espanha em 1973 e foi registado pela primeira vez em Portugal em 1979, atualmente está espalhado em onze bacias hidrográficas. Esta espécie está no top 10 das espécies invasores que causam maior dano ecológico e económico; é responsável pela extinção de espécies e degradação de habitats, já foi identificado o seu impacto negativo em plantas aquáticas, invertebrados, anfíbios e outras espécies. Apesar dos seus impactos negativos em algumas espécies, o Lagostim-vermelho-do-Louisiana desempenha um papel relevante em níveis tróficos superiores, consiste num recurso alimentar importante para a Lontra (Lutra lutra), para outras três espécies de mamíferos, seis espécies de aves e três espécies de peixes na Região Mediterrânea.
Estudos recentes evidenciam que as alterações climáticas estão a afetar a dieta do Lagostim-vermelho-do-Louisiana, este está a consumir mais matéria vegetal o que pode causar um maior impacto negativo em plantas aquáticas e na produção de arroz.

Em Portugal, existe apenas uma espécie nativa de lagostim, o Lagostim-de-patas-brancas (Austropotamobius pallipes), mas está extinto ou praticamente extinto, tem o estatuto de Ameaçado (EN) de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza. As maiores ameaças a esta espécie são a perda de habitat, alterações climáticas repentinas e competição com espécies invasoras, como é o caso do Lagostim-da-Louisiana

REBENTO…U

Família: Smilacaceae

Identificação: é uma trepadeira perene. Os caules são lenhosos e podem ser providos de espinhos, pode atingir 15 metros de altura; as folhas são verdes, coriáceas, brilhantes, alternadas, em forma de coração, com margens e nervuras espinhosas e com duas gavinhas na base. É uma espécie dioica (flores macho e fêmea em indivíduos distintos), as flores são perfumadas, pequenas, brancas ou esverdeadas e crescem em cachos axilares; os frutos são bagas arredondadas vermelhas ou pretas. Floresce de abril a novembro.

Habitat e Distribuição: matos, sobreirais, pinhais, matas, cercas e muros antigos; requer alguma humidade. Ocorre no Sul da Europa, da Ásia Ocidental à Índia, África do Norte e tropical.

Notas: As raízes têm propriedades medicinais como diurético e purificador; as bagas são tóxicas para os humanos, mas apetitosas para algumas aves. No ambiente natural, precisa de outras plantas para trepar; é utilizada como ornamental devido às suas lindas bagas e para cobrir muros antigos.

Salsaparrilha (Smilax aspera) (L. 1753)

DATAS A NÃO ESQUECER

4, 11, 18 e 25 de março – Dia aberto- Cruzinha (Anilhagem de Aves e Monitorização de borboletas noturnas das 10 às 12h). Faça a sua reserva aqui

19 de março 2019 – Dia do Pai

20 de março – Equinócio da Primavera

29 de março – mudança da hora para horário de verão (o relógio adianta uma hora)

Obrigada por patrocinar os Amigos d’ A Rocha Portugal

Dr Roy Rodrigues
Av. Do Brasil, Qta das Palmeiras, Lt P2, R/c A, 8500-299 Portimão
(+351) 282180683
royaldente@gmail.com

Urbanização Marachique, Lt 1, Loja B, 8500-045 Alvor
(+351) 919191941/ 282482409
www.swandayspa.pt

Sítio da Amoreira, Lote 12,
Alvor, 8500-045 Portimão
(+351) 282412562/ 925433047
www.transfair.com.pt

Urbanização Mar e Serra n° 47, Alvor
8500 – 783 Portimão

(+351) 911597735

Fisioterapia, massagens (Relaxamento, Desportiva, Terapêutica)

Terapias complementares

Estética (Manicure, Pedicure, Epilação, Tratamentos faciais)

Aberto de segunda a sexta

Que belo presente de aniversário! Uma Oferta de Amizade para os Amigos d’ A Rocha Portugal!!!

 

Oferta de Amizade

Pensamento do mês

“As palavras proferidas pelo coração não tem língua que as articule, retém-nas um nó na garganta e só nos olhos é que se podem ler.”
José Saramago (escritor Português, Prémio Nobel da Literatura em 1998; 1922-2010)

VAMOS SER VERDES – VAMOS SER VERDES – VAMOS SER VERDES

Pequenas coisas que fazem a diferença!

Produtos de higiene

  • Evite usar lenços de papel coloridos, grandes e com várias camadas, utilize em vez lenços de pano
  • Utilize guardanapos de pano
  • Evite utilizar esponjas de origem natural
  • Escolha produtos com o selo “não testado em animais”
  • Utilize desodorizantes sem alumínio
  • Escolha perfumes naturais/orgânicos e cosméticos sem ftalatos e parabenos (conservantes químicos)

VAMOS SER VERDES – VAMOS SER VERDES – VAMOS SER VERDES

Projeto Arenaria

Monitorizar a distribuição e abundância de aves nas praias e costas Portuguesas.

O projeto Arenaria começou em 2009/10 e é uma parceria entre o Instituto Universitário (ISPA), o Museu de História Natural e Ciência da Universidade de Lisboa e a Sociedade Portuguesa para o estudo das Aves (SPEA). Neste período foi também realizado o 1º Census de aves costeiras invernantes em Portugal.

No princípio do projeto, a prioridade foi estimar a distribuição e abundância das aves invernantes costeiras e foi realizado um esforço para monitorizar a maior parte da costa Portuguesa. Os primeiros dados serviram de referência para a interpretação da futura evolução das populações de aves invernantes costeiras. Para os anos seguintes foi importante a recolha de informação utilizando um método estandardizado e regular em áreas específicas para permitir o estudo da tendência destas populações a médio/longo prazo.

No inverno de 2015/16 e 2016/17 foi realizado o 2º Census de aves invernantes costeiras. O projeto só foi possível com o trabalho de muitos voluntários; A Rocha tem participado desde o início.

Todos os anos, além da monitorização regular, o projeto tem como objetivo consciencializar a conservação dos ecossistemas marinhos e costeiros e a sua biodiversidade.

Passados 10 anos do Projeto Arenaria (2009/18) foram obtidos alguns resultados interessantes.

No ano de 2018/19 foram registados 19 496 aves de 78 espécies diferentes; a espécie mais comum é a Gaivota-de-patas-amarelas e a limícola mais é comum é o Pilrito-das-praias (Calidris alba). Apesar do Pilrito-das-praias ser a limícola mais comum na Costa Portuguesa, a sua população tem vindo a decrescer nos últimos 10 anos. Esta espécie tem um estatuto de “Pouco preocupante (LC) mas a tendência populacional global é desconhecida. Em Portugal a maior ameaça é a perturbação das praias pelas atividades aquáticas, pessoas e cães sem trela.

Campeões da Sustentabilidade

Campeões da sustentabilidade à volta do Mundo– à procura de maneiras de travar a poluição e a gestão de resíduos.

Gostaríamos de agradecer ao Daniel Hartz, o fundador dos “Campeões da Sustentabilidade” por nos permitir a partilha desta informação.

Karen Jenner- Baía de Fundy, Canadá

A Karen recolheu sozinha, habilmente, lixo das praias durante 2 anos e conseguiu recolher 6350 quilos de plásticos!

Quando a Karen descobriu um saco do lixo que acreditou ser de 1970, que estava incrivelmente intacto, ficou imensamente surpreendida e confirmou a importância de encontrar alternativas para o uso de plásticos. Este acontecimento inspirou-a a passar horas a fio, por semana, a vasculhar as praias perto da sua quinta, à procura de lixo proveniente das marés vivas da Baía de Fundy, que eram trazidos para terra.

Três a quarto vezes por semana, recolhe o lixo e trá-lo para casa, posteriormente separa-o em diferentes categorias. Conta e pesa os montes de lixo e sempre que possível coloca-os na reciclagem. Apesar de algumas vezes encontrar linhas de pescas, afirma que 95 a 99 por cento de todo o lixo que encontra são itens de plásticos.

Parte do lixo é reutilizado, como por exemplo uma escada que foi reutilizada como corrimão para aceder ao seu sótão ou restos de plásticos reutilizados no estábulo dos seus cavalos.

Ave do Ano 2021 é um “exclusivo” dos Açores

O painho-de-monteiro, uma pequena mas intrépida ave que apenas nidifica no arquipélago dos Açores, foi eleito Ave do Ano 2021, numa votação online promovida pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). Ao longo de todo o ano a SPEA irá celebrar esta espécie e alertar para os perigos que correm as aves marinhas (o grupo de aves mais ameaçado do mundo) e em particular as aves que dependem de ilhas.

“Esta pequena ave tem uma resiliência impressionante: chega a viver mais de 20 anos, a maior parte do tempo no mar. Estamos a falar de uma avezinha de 50g que resiste às tempestades que assolam o Atlântico, ano após ano” diz Azucena de la Cruz Martín, Coordenadora da SPEA Açores.

Saiba mais aqui

Consulte o website com as datas dos passeios organizados

  www.arochalife.com  

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Aves marinhas no Cabo de São Vicente parte 2

Vamos agora deter a nossa atenção sobre um grupo, que a maior parte das pessoas não considera muito apelativo: as gaivotas, foram observadas 11 espécies no Cabo de São Vicente. Duas destas podem ser observadas durante todo o ano: a Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis), que nidifica no local e a Gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus), que é invernante, mas alguns juvenis permanecem o ano todo; o número máximo desta espécie foi registado no dia 11 de dezembro de 2017 com 1925 indivíduos observados durante 2 horas. A Gaivota-de-cabeça-preta (Ichthyaetus melanocephalus) tem sido observada durante todo o ano exceto em maio e regista dois picos, um no princípio de abril e outro no princípio de novembro; o máximo registado foi de 786 indivíduos no dia 4 de dezembro de 2020, numa contagem de duas horas. A Gaivota-de-audouin (Ichthyaetus audouinii) foi outrora uma das espécies de gaivota mais rara na Europa, nos últimos anos tem apresentado uma expansão; foi observada pela primeira vez no Cabo em setembro de 2008 e tem sido registada em todos os meses exceto julho. Esta espécie apresenta dois picos, ambos na primavera, um no final de maio e outro no final de abril. A Gaiovota-de-audouin continua a ser uma espécie com baixos registos nesta parte do Algarve, o máximo observado foi de sete indivíduos no dia 31 de março de 2017, numa contagem de duas horas. O Gaivotão-real (Larus marinus) também aparece em pequenos números e o máximo registado foi de dois indivíduos no dia 20 de novembro de 2015. Esta espécie foi registada em janeiro, fevereiro, maio e entre setembro e princípio de dezembro.

Gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus)
Gaivotão-real (Larus marinus)
Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis)

Duas espécies, o Guincho-comum (Chroicocephalus ridibundus) e a Gaivota-tridáctila (Rissa tridactyla) apresentam registos apenas no outono e inverno. O Guincho-comum foi observado entre julho e final de abril; apresenta três picos, um em fevereiro, outro no princípio de agosto e outro em meados de dezembro. O máximo registado foi de 70 indivíduos no dia 27 de dezembro de 1988. A Gaivota-tridáctila tem sido observada em menos meses que o Guincho-comum, está presente entre final de outubro e meados de março e apresenta dois picos, um no princípio de janeiro e outro no princípio de novembro. No dia 25 de dezembro de 2013, foram registados 50 indivíduos de passagem no Cabo de São Vicente.

Quatro espécies apresentam um número baixo de observações. A Gaivota-parda (Larus canus) foi observada cinco vezes, em janeiro, fevereiro, setembro, outubro e novembro, apenas um indivíduo observado. A Gaivora-pequena (Hydrocoloeus minutus) foi observada três vezes: três no dia 21 de outubro de 2014, uma no dia 29 de outubro de 2018 e duas no dia 4 de dezembro de 2020. A Gaivota-de-sabine (Xema sabini), uma espécie rara em Portugal, foi observada duas vezes no outono, cinco indivíduos no dia 22 de novembro de 2011 e um indivíduo no dia 1 de dezembro de 2019. Finalmente a Gaivota-de-bico-fino (Chroicocephalus genei) foi observada apenas uma vez, um indivíduo no dia 31 de agosto de 2019.

Foram registadas seis espécies de gaivinas no Cabo de São Vicente. A espécie mais comum é o Garajau-comum (Thalasseus sandvicensis), não é nidificante, mas pode ser observado durante todo o ano; o pico ocorre em meados de setembro e o máximo observado foi de 22 indivíduos no dia 30 de setembro de 2013, numa contagem com duração de uma hora e meia. A Gaivina-comum (Sterna hirundo) foi observada entre meados de agosto e abril, com um pico no final de Agosto: o máximo registado foi no dia 22 de setembro de 2012, com 27 indivíduos observados durante uma hora de contagem. O Garajau-do-Ártico (Sterna paradisea) é muito semelhante à Gaivina-comum, estas duas espécies são difíceis de distinguir quando observadas à distância; isto pode explicar o facto de apenas ter sido observada entre meados de agosto e princípio de novembro, com um pico no final de setembro. O máximo registado para esta espécie foi de 16 indivíduos no dia 30 de setembro de 2007. A maior gaivina da Europa, o Garajau-grande (Hydroprogne caspia), é um invernante comum na costa do Algarve. Contudo esta espécie apenas tem sido observada no Cabo de São Vicente, entre o final de setembro e meados de novembro, com um pico no final de setembro e um número máximo de oito indivíduos observados no dia 23 de setembro de 2014.  A Chilreta (Sternula albifrons) é outra espécie comum na costa Algarvia, mas apenas na primavera e verão quando vem para nidificar. No Cabo de São Vicente tem sido observada em setembro e princípio de novembro, em números baixos, já que o máximo registado foi de três indivíduos no dia 21 de setembro de 2014: esta espécie é mais comum no princípio de setembro. As gaivinas do género Chlidonias são normalmente designadas por gaivinas palustres e apenas uma espécie deste grupo foi observada no Cabo de São Vicente, a Gaivina-preta (Chlidonias niger); esta está presente entre meados de agosto e meados de outubro, o pico ocorre no final de setembro e o máximo registado foi no dia 30 de setembro de 2013, com um total de 13 indivíduos.

Garajau-grande (Hydroprogne caspia)
Garajau-comum (Thalasseus sandvicensis)
Chilreta (Sternula albifrons)

Os painhos são as aves marinhas mais pequenas, são geralmente observados longe da costa, mas por vezes podem ser empurrados pelo vento para perto desta. O mais comum e bem conhecido da equipa d’ A Rocha Portugal, é o Alma-de-mestre (Hydrobates pelagicus) observado em setembro e outubro (apenas sete vezes); o pico ocorre na primeira metade de outubro e o máximo que há registo foi de 14 indivíduos no dia 5 de outubro de 2016. O Painho-de-cauda-forcada (Oceanodroma leucorhoa) foi avistado quatro vezes entre outubro e dezembro (duas vezes em outubro e uma em novembro e dezembro); o máximo observado foram 15 indivíduos no dia 4 de novembro de 2011, numa contagem de uma hora. Muitos observadores de aves, visitam Sagres à procura do Painho-casquilho (Oceanites oceanicus), apesar de ser observado facilmente de barco ao largo de Sagres, só foram observados duas vezes no Cabo de São Vicente, dois indivíduos no dia 14 de outubro de 2012 e um indivíduo no dia 16 de outubro de 2017. Finalmente o Calca-mar (Pelagodroma marina) foi observado apenas uma vez no dia 25 de outubro de 2013.

As pardelas pertencem ao mesmo grupo de aves que os painhos, mas são maiores. Foram observadas cinco espécies de pardelas, no Cabo de São Vicente. A Pardela-balear (Puffinus mauretanicus), uma das aves marinhas mais ameaçadas da Europa, foi observada durante todo o ano, o pico foi registado no final de setembro e o máximo registado foi de 340 indivíduos no dia 30 de setembro de 2012, numa contagem de 1 hora. A Cagarra (Calonectris borealis) foi observada durante todo o ano exceto em janeiro; esta espécie pode por vezes ser observada da costa, poisada na água, em grandes grupos. O pico ocorre em meados de outubro e o máximo registado foi no dia 21 de outubro de 2012, durante três horas foram observados 1336 indivíduos.  O Fura-buco-do-Atlântico (Puffinus puffinus), muito semelhante à Pardela-balear, foi observado em fevereiro, maio, junho e entre Agosto e o princípio de dezembro; o máximo registado foi no dia 2 de setembro de 2016, quando foram observados 21 indivíduos. A pardela-escura (Ardenna grisea) foi também observada na primavera e no outono, somente em abril e entre julho e novembro; o pico ocorre na segunda metade de setembro e o máximo registado foi no dia 7 de outubro de 2009, com 73 indivíduos. A última espécie é a Pardela-de-barrete (Ardenna gravis) apenas observada entre julho e meados de setembro; o máximo registado foram sete indivíduos no dia 1 de setembro de 2012, durante uma contagem de três horas.

Apenas uma espécie de mobelha foi observada no Cabo de São Vicente, a Mobelha-grande (Gavia immer), registada quatro vezes, apenas um único indivíduo, no dia 22 de novembro de 2011, 12 de janeiro de 2013 e 21 e 30 de novembro de 2019.

Alma-de-mestre (Hydrobates pelagicus)
Painho-casquilho (Oceanites oceanicus)
Pardela-de-barrete (Ardenna gravis)
Pardela-balear (Puffinus mauretanicus)

O Ganso-patola (Morus bassanus) não nidifica em Portugal (as colónias mais próximas são em França), mas pode ser observado durante todo o ano; é mais abundante no outono com um pico no final de outubro. No dia 30 de outubro de 2010, durante uma contagem de 1 hora, foram observados 8562 indivíduos, o máximo até agora registado. O Alcatraz-pardo (Sula leucogaster), é muito mais raro que o Ganso-patola e nidifica nas águas tropicais dos oceanos Atlântico e Pacífico. Foi registado duas vezes no Cabo de São Vicente, no dia 5 de outubro de 2017 (dois indivíduos) e no dia 1 de setembro de 2020 (um indivíduo).

A Galheta (Phalacrocorax aristotelis) nidifica nas arribas em redor de Sagres e pode ser observada durante todo o ano; o máximo registado foi de 16 indivíduos no dia 28 de junho de 2012. O Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo) é bastante semelhante à Galheta e pode ser observado durante quase todo o ano, nunca foi observado em junho e agosto. O pico é observado no princípio de fevereiro e o máximo de que há registo foi de 13 indivíduos no dia 8 de fevereiro de 2016.

Durante as observações de aves marinhas no Cabo, outras aves aquáticas foram também observadas, como é o caso de algumas garças. De acordo com o ebird, a mais comum é provavelmente a Garça-boieira (Bulbucus ibis), observada durante todo o ano à exceção de fevereiro e agosto; o pico ocorre na segunda metade de março e o máximo registado foi de 75 indivíduos no dia 27 de dezembro de 1988. Outra pequena garça branca é a Garça-branca-pequena (Egretta garzetta), que foi registada em nove meses do ano, entre fevereiro e abril e entre junho e novembro. Esta espécie apresenta um pico a meados de setembro e o máximo registado foi no dia 9 de outubro de 2016 com 22 indivíduos. A Garça-real-europeia (Ardea cinerea) foi observada em seis meses do ano, em março e abril e entre meados de Agosto e o final de novembro; o pico ocorre no princípio de setembro e o máximo registado foi de nove indivíduos no dia 2 de setembro de 2012. As outras espécies foram apenas registadas algumas vezes, o Colhereiro (Platalea leucorodia) foi observado três vezes, sempre em grupos e todas as observações referem-se a outubro de 2017: 16 indivíduos no dia 6, 20 no dia 7 e 17 no dia 8. Existem duas observações de Íbis-preta (Plegadis falcinellus): três indivíduos no dia 7 de setembro de 2018 e 21 no dia 5 de outubro de 2020. Finalmente a Garça-branca-grande (Ardea alba), uma espécie cada vez mais comum no Algarve, foi observada uma única vez, no dia 5 de outubro de 2020 (apenas um indivíduo).

Ganso-patola (Morus bassanus)

Colhereiro (Platalea leucorodia)

Garça-real-europeia (Ardea cinerea)

Fotografias e texto de Guillaume Réthoré

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